Elvira Cristina de Azevedo Souza Lima
Brincar é uma atividade
universal, encontrada nos vários grupos humanos, em diferentes períodos
históricos e estágios de desenvolvimento econômico. Evidentemente, as várias
modalidades lúdicas não existem em todas as épocas e também não permanecem
imutáveis através dos tempos. Como toda atividade humana, o brincar se
constitui na interação de vários fatores que marcam determinado momento
histórico sendo transformado pela própria ação dos indivíduos e por suas
produções cultural e tecnológica. Os jogos e as brincadeiras são assim
transformados continuamente. A criança brinca para conhecer-se a si própria e
aos outros em suas relações recíprocas, para aprender as normas sociais de
comportamento, os hábitos determinados pela cultura; para conhecer os objetos
em seu contexto, ou seja, o uso cultural dos objetos; para desenvolver a
linguagem e a narrativa; para trabalhar com o imaginário; para conhecer os
eventos e fenômenos que ocorrem a sua volta. A realização de jogos e
brincadeiras na primeira infância envolve naturalmente o movimento, que vai
dominar como componente, pois através dele a criança se coloca no meio,
inteirando-se com os objetos, com as pessoas, explorando seu próprio corpo, o
espaço físico. Uma das funções da brincadeira é permitir à criança o exercício
do movimento. (...) O movimento tem, assim, relevância destacada na infância,
pois ele serve para a criança se relacionar com o outro, explorar o espaço -
situando-se nele -, bem como os objetos e o próprio corpo.
Publicação: Série Idéias n. 10, São Paulo: FDE,
1992.
Páginas: 17 a 23
Páginas: 17 a 23
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